Dou-lhe às boas vindas
Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida.
A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. (Carta da Terra)
Quem sou eu
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Mudanças climáticas têm contribuído para eliminação de poluentes orgânicos persistentes, que ficam armazenados no gelo, para a atmosfera
Como se o derretimento do gelo já não fosse suficiente, cientistas do Canadá, da China e da Noruega descobriram mais um impacto das mudanças climáticas no Ártico. Segundo um novo estudo, o degelo ártico está liberando novamente poluentes orgânicos persistentes (POPs) que eram produzidos décadas atrás, emitindo-os na atmosfera. Para os pesquisadores, essa é uma verdadeira ‘herança maldita’ que volta para nos assombrar.
Os POPs são produtos químicos que eram usados décadas atrás na fabricação de compostos como o DDT, o HCB, o HCH, o clordano e o lindano, utilizados como pesticidas e em outros fins industriais. Por se acumularem na gordura corporal causando problemas de saúde como câncer e defeitos nos fetos, a produção da maioria dos POPs foi banida em 2001 na Convenção de Estocolmo.
Eles têm a habilidade de evaporar para fora [de um local] de armazenamento”, esclareceu Hayley Hung, cientista da Divisão de Pesquisa de Qualidade do Ar do Canadá Ambiental. Por isso, não foi tão fácil nos livrarmos desse legado deixado por nossos pais e avós. Um relatório publicado no último domingo (24) pela Nature Climate Change, intitulado Revolatilização dos poluentes orgânicos persistentes no Ártico induzida pelas mudanças climáticas, indica que nas últimas duas décadas, mesmo após a queda na produção desses compostos, a concentração de POPs na atmosfera vem aumentando consideravelmente. Sendo semi-voláteis, esses compostos têm uma grande facilidade de mudar de um estado físico para outro, passando de sólido para líquido e de líquido para gasoso com rapidez. “Os produtos químicos são conhecidos por serem semi-voláteis.
“Os estoques [de POPs] ainda existem, mas estes são fontes limitadas, e as fontes já são conhecidas por nós. Então ficamos surpresos ao ver as concentrações aumentando realmente”, declarou Hung, que é uma das autoras do documento. Então, investigando a razão para tal evento, os cientistas mais uma vez se depararam com as mudanças climáticas.Os pesquisadores descobriram que o crescimento da concentração de POPs, cuja maioria dos depósitos se encontra no Ártico devido às baixas temperaturas do local, está ligado ao aumento da temperatura no ambiente, já que esse aumento facilita a volatilização dos POPs, que voltam a ser liberados na atmosfera. “Isso é um sinal para nós de que esses produtos químicos estão de fato evaporando para fora do oceano”, explicou Hung.
A nova pesquisa “demonstra que as mudanças climáticas podem remobilizar os POPs armazenados na água, na neve, no gelo, e, presumivelmente, nos solos – e que esse processo já está ocorrendo na região ártica”, afirmou Jordi Dachs, especialista em poluentes do Instituto de Avaliação e Pesquisas Ambientais da Água, em Barcelona, na Espanha.
A questão é ainda mais grave quando se leva em consideração que o Ártico vem sofrendo um aumento de temperatura maior do que a média registrada no planeta. E, de acordo com os cientistas, a tendência é que a situação piore, à medida que as temperaturas forem ficando mais altas e o gelo for derretendo cada vez mais rápido. “Parece provável que poluentes persistentes afetarão o meio ambiente em prazos ainda mais longos do que o atualmente suposto. A remobilização dos poluentes gerada por nossos avós... é uma testemunha indesejada do nosso passado ambiental que agora parece estar ‘vindo do frio’”, disse Dachs,
Conscientização
Para Hung, “o principal propósito desse artigo é aumentar a conscientização de que as mudanças climáticas têm, de fato, uma influência na contaminação. Não é tão aparente como outras mudanças mais visíveis... Pessoas precisam estar cientes de que há um efeito. À medida que calculamos a eficiência da Convenção de Estocolmo, precisamos levar em conta os efeitos das mudanças climáticas”.Segundo o relatório, é preciso lembrar que tal evento pode nos deixar cada vez mais expostos a esses compostos prejudiciais. “Nossos resultados indicam que uma ampla gama de POPs tem sido remobilizada à atmosfera ártica nas últimas duas décadas como resultado das mudanças climáticas, confirmando que o aquecimento do Ártico pode minar os esforços globais para reduzir a exposição ambiental e humana a esses químicos tóxicos”.
Hung comentou ainda que os pesquisadores vão continuar a estudar a eliminação de POPs na atmosfera, para descobrir mais detalhes sobre o evento. “O próximo passo é descobrir quanto [de POPs] há no Ártico, quanto vazará e com que rapidez”.
Por Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil
http://www. institutocarbonobrasil.org.br/ noticias2/noticia=728113 /Agências Internacionais
quinta-feira, 28 de julho de 2011
A ameaça do veneno que chega do campo
A água potável no Brasil pode conter 22 tipos de agrotóxicos, 13 de metais pesados, 13 de solventes e seis de desinfetantes. Essa presença contaminante é tolerada até níveis fixados em uma escala oficial, que às vezes é ultrapassada por conveniências econômicas e devido a controles inadequados. Até 1977 as autoridades determinavam que a água própria para consumo humano não podia conter resíduos de mais de 12 agrotóxicos e dez metais. Nada sobre os demais. Desde então foram feitas duas atualizações, em 1990 e 2004, “legalizando” os resíduos de novos insumos químicos usados na agricultura e na indústria, lamentou Wanderlei Pignati, médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
Em comparação, a União Europeia só admite cinco agrotóxicos, com limites inferiores aos previstos no Brasil e um total que impede que cada um chegue ao máximo tolerado, cuidado este também não adotado no Brasil. O controle de qualidade da água potável, ainda baseado em eliminar bactérias, não acompanha a crescente contaminação química, que exige equipamentos “caros e sofisticados” em medições complexas, afirmou Pignati, especialista que é referência nacional na pesquisa e na luta contra o que se considera abuso de venenos agrícolas.O Brasil se converteu, há três anos, no maior consumidor mundial de defensivos agrícolas de cultivos, apesar de produzir, por exemplo, menos de um terço de grãos do que os Estados Unidos.
É o custo da liderança em agricultura tropical, alcançado nas últimas décadas e que lhe permitiu exportar US$ 76,4 bilhões em bens deste setor no ano passado. A façanha econômica brasileira se concretizou graças a muita pesquisa agronômica e intenso emprego de fertilizantes, inseticidas, herbicidas e fungicidas, além da aposta nas monoculturas extensivas, especialmente a soja, que se converteu no principal produto das exportações, superando de longe os tradicionais café e açúcar.O Estado do Mato Grosso, no centro oeste do país e na fronteira sudeste da Amazônia, sintetiza essa mudança ao se constituir no maior produtor nacional de soja e, por extensão, também o maior consumidor de defensivos agrícolas, denominação para os agroquímicos preferidos pelos produtores e camponeses.Além de expandir a área plantada, o que ocorre a partir do desmatamento, o setor produtor local intensificou o uso de agrotóxicos.
“Há dez anos aplicavam-se oito litros em um hectare de soja, hoje são dez litros”, disse Pignati. “Os agrotóxicos são uma droga lícita, como o álcool e o tabaco”, acrescentou ao responder uma pergunta da IPS. O modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro estimula seu uso, isentando-os, por exemplo, do imposto comercial que, no entanto, é aplicado em medicamentos, em uma prioridade reversa, em detrimento da saúde, ressaltou o especialista.Pignati é um dos ativistas da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lançada no Mato Grosso no começo de junho, que se dedica a estudar o assunto e divulgar seus conhecimentos desde que chegou à conclusão de que é mais eficiente atacar as causas das enfermidades do que formar médicos para tratamentos individuais.
Na universidade, vinculou-se ao Departamento de Saúde Coletiva. O Mato Grosso consome cerca de 150 milhões de litros de agrotóxicos por ano, equivalente a 50 litros por habitante, contra a média nacional de 5,2 litros, segundo Pignati.É inevitável contaminar as águas em um Estado que possui milhares de nascentes fluviais que alimentam as bacias do Rio da Prata e outras quatro amazônicas, alertou Pignati. O sistema de tratamento da água para consumo da população data de “cem anos atrás” e busca retirar contaminantes por decantação, mas muitos produtos químicos escapam desse método e ficam dissolvidos na água, explicou. Seus efeitos não são apenas as diarreias, mas neurológicos, cancerígenos, endocrinológicos, psiquiátricos e sua presença persiste durante décadas.A “disfunção endócrina”, um tema recente evidenciado pela proliferação de diabetes, hipotireoidismo e outros distúrbios, servem de alerta para esse problema, alerta o médico.
O risco sanitário no Brasil aumenta pelo uso de venenos que há muito tempo foram proibidos em outros países, especialmente na Europa. O caso emblemático é o Endosulfan, um inseticida responsável por intoxicações fatais, abortos, má-formação fetal e danos aos sistemas nervoso e imunológico.Uma resolução governamental de 2010 determina sua abolição gradual no Brasil. O Endosulfan estará proibido somente a partir de 2013, e nas próximas semeaduras ainda será permitida a utilização de 14,8 milhões de litros. Outros 13 produtos estão sendo avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A aplicação desses venenos por meio de aviões, o que agrava a contaminação de pessoas, água e biodiversidade devido à dispersão incontrolada, é um alvo prioritário dos ambientalistas.Uma “chuva de agrotóxicos”, lançada por um avião pulverizador, caiu em março de 2006 sobre Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes no norte do Mato Grosso, rodeada de soja em uma época ou de milho e algodão, em outra. A intoxicação de pessoas, animais e plantações provocou condenações e amplos debates.
Outro grande impacto teve a divulgação em março de um estudo feito por Danielly Palma, coordenado por Pignati, que identificou a presença residual de agrotóxicos no leite materno de 62 mulheres examinadas no ano passado em Lucas de Rio Verde em 2010.Em todas havia DDE, que é no que se transforma o DDT (dicloro difenil tricoloroetano), e em 44% delas foram encontrados resíduos de Endosulfan. Mas estas críticas e pesquisas são relativizadas por dirigentes políticos do mundo dos grandes negócios agropecuários. A comparação com a Europa é indevida, devido às condições distintas. Os agricultores brasileiros cumprem as regras fixadas pela Anvisa, o órgão regulador do Ministério da Saúde, afirmou Seneri Paludo, diretor-executivo da Federação da Agricultura de Mato Grosso.A quantidade de consumo de defensivos agrícolas por quantidade de habitantes tampouco é uma medida legítima, acrescentou Paludo.
Os agricultores tendem a usar “uma dose inferior à necessária, o que às vezes agrava as pragas”, porque os defensivos representam maiores custos, afirmou. Sua disposição em proteger o meio ambiente se comprova pelo fato de Mato Grosso ser líder nacional em coleta de embalagens de agroquímicos usados, ressaltou o dirigente.
Por sua vez, Edu Pascoski, secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, argumenta que os resíduos identificados nas pesquisas em seu Município “estão dentro dos níveis aceitáveis”, fixados pela Anvisa. Também justificou que o DDT e o DDE permanecem nos seres humanos por mais de 60 anos, por isso o que foi encontrado nos estudos de Danielly Palma pode refletir o uso do produto em etapas muito anteriores à sua proibição em 1998.Contudo, se forem verificados “abusos no uso de agroquímicos”, isso será devido a permissões dadas por autoridades nacionais, afirmou Pascoski, após garantir que sua cidade apresenta bom desempenho ambiental, com um acompanhamento constante da qualidade da água potável, áreas de proteção preservadas ou em recuperação e abundante vegetação. Envolverde/IPS (FIN/2011).
Por Mario Osava, enviado especial da Inter Press Service (IPS)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Carbono Zero e outras Balelas
No rastro dos debates das grandes questões ambientais, como sempre acontece, logo surgem os oportunistas surfando a onda com criativos produtos e belas campanhas de marketing. Como a bola da vez é o Aquecimento Global e as Mudanças Climáticas, a onda agora é prometer compensar (ou neutralizar) as emissões de carbono e gases do efeito estufa com o “mágico” plantio de árvores. Como Slogan, é muito bonito e reconfortante dizer que o plantio de árvores neutralizará totalmente as emissões de carbono de um evento ao público ou as emissões dos gases de efeito estufa do carro ou do avião que o transporta. Mas será que é verdade?
Ainda que essas promessas possam ter-lhe convencido, e trazido algum alívio para a consciência pesada, pare por alguns instantes e pense. Resgate seu bom-senso. Em primeiro lugar, tenha a exata noção da seguinte premissa: se todos nós quisermos seguir esse mesmo caminho “preservacionista”, não haverá área suficiente para plantar todas as árvores necessárias. O que significa dizer que essa não é uma solução viável para o Planeta.
Mas tudo bem, vamos admitir que somente um parte seguirá esse caminho. Nesse caso, qual é a garantia que você tem de que a empresa responsável irá plantar as mudas das árvores? Quais espécies serão plantadas e em que áreas? Quem delas irá cuidar durante os longos 20 ou 30 anos que levarão para tornar-se adultas? Ou você não sabia que no cálculo que aponta o número de árvores necessárias para neutralizar suas emissões gasosas, ou seja, para concretizar a prometida compensação, utiliza-se o coeficiente de captura de CO2 da árvore adulta? E mais; dependendo da espécie, esse coeficiente será bem diverso. Quem lhe garante também que suas árvores chegarão à vida adulta? Aliás, quem lhe garante que a empresa responsável (contratada) pelo plantio estará viva e cuidando das suas árvores daqui há 20 ou 30 anos? Infelizmente, você não obterá respostas satisfatórias a todas essas dúvidas.
Não está-se falando aqui, e é bom que fique bem claro, dos programas e projetos de recomposição da mata nativa e de reflorestamento. A recuperação das áreas degradadas, especialmente nas encostas dos morros e entornos de rios e mananciais, e o replantio feito pela indústria de papel e celulose são ações que devem sempre ser incentivadas e apoiadas.
Entretanto, se até o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) critica o forte apelo de marketing das campanhas de Carbono Zero, o caminho não pode ser o insidioso discurso: “continue consumindo e gerando emissões de carbono sem preocupações; nós limparemos sua barra plantando árvores”. Seria ótimo para todos nós se pudesse ser assim. Mas não é. Não há outro caminho sustentável de longo prazo senão o consumo consciente, a preservação dos recursos naturais e a reciclagem dos materiais e resíduos.
Pense nisso! Não se deixe levar por soluções oportunistas e milagrosas.
Associe-se, contribua e participe de ações, entidades e projetos atuantes e respeitados por seu longo e verdadeiro trabalho em favor da Natureza.
*Marcelo Szpilman, Biólogo Marinho formado pela UFRJ, com Pós-Graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor do livro GUIA AQUALUNG DE PEIXES, editado em 1991, de sua versão ampliada em inglês AQUALUNG GUIDE TO FISHES, editado em 1992, do livro SERES MARINHOS PERIGOSOS, editado em 1998/99, do livro PEIXES MARINHOS DO BRASIL, editado em 2000/01, do livro TUBARÕES NO BRASIL, editado em 2004, e de várias matérias e artigos sobre a natureza, ecologia, evolução e fauna marinha publicados nos últimos anos em diversas revistas e jornais e no Informativo do Instituto Aqualung. Atualmente, Marcelo Szpilman é diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor e Redator do Informativo do citado Instituto, diretor do Projeto Tubarões no Brasil (PROTUBA) e membro da Comissão Científica Nacional (COCIEN) da Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS).
(EcoDebate)
Belo Monte é pior do que estava previsto
Belo Monte é pior do que estava previsto
Sérgio Abranches, do Ecopolítica
O balanço de malefícios e benefícios de Belo Monte só piora. O projeto marca em definitivo a falência do licenciamento pelo Ibama. Uma licença precária que certamente não considerou a complexidade do que estava licenciando, nem seus impactos ambientais.
A cada nova informação fica mais claro que o projeto é ruim. Foi mal planejado desde o início. O governo entregou à Amazônia uma “Caixa de Pandora”, cada vez que uma de suas portas se abre, dela saem uma nuvem de problemas e males imprevistos e insanáveis.
Matérias do Valor aqui e aqui mostraram que não há condições logísticas para implantar o canteiro de obras com as máquinas pesadas necessárias. O rio não tem calado para esse transporte boa parte do ano. O porto existente não comporta máquinas tão pesadas. As estradas não estão preparadas para essa carga. Resultado: construirão um novo porto, provavelmente com extenso processo de dragagem (tem relatório de impacto ambiental, licenciamento?); o trecho da Transamazônica será pavimentado e novas estradas construídas (tem relatório de impacto ambiental, licenciamento?).
Além da ampliação da pegada ambiental dessas obras em si, elas se tornarão vetor de ocupação da região, provocando desmatamento e grandes desequilíbrios sociais, após o final das obras.
E os benefícios? Os econômicos, para a região, serão fugazes. As obras deixarão mais problemas que ganhos duráveis. Do ponto de vista de energia, apenas se consolida a hipótese de que Belo Monte jamais será capaz de gerar eletricidade suficiente para compensar os danos permanentes que causará. Há alternativas mais econômicas e eficientes, de muito mais fácil implantação e muito menor impacto, para gerar mais eletricidade por real investido.
Mas, diante da obstinação do governo em tocar essa obra custe o que custar, sem interveniência em tempo da Justiça, o Brasil está condenado a ver o pior projeto hidrelétrico desde Balbina ser tocado ao arrepio das regras. O impacto ambiental e social será desconsiderado do princípio ao fim. Ele nunca será compensado realmente, pelas condições – até agora não cumpridas – impostas pelo Ibama. São compensações quase insignificantes diante do tamanho das perdas. A questão indígena será desprezada.
Ficará como marco da desconsideração com as necessidades reais de desenvolvimento da Amazônia. Será a demonstração, para a história, da falta de visão da política energética. É mais um flagrante muito expressivo da falta de instrumentos na democracia brasileira que permitam contraposição eficaz à vontade autocrática do Executivo pela via política, do movimento social ou da Justiça.
(Ecopolítica)
quarta-feira, 20 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Como as árvores podem remover CO 2 da atmosfera para compensar o que é emitido pelas atividades humanas?
Os Pesquisadores Gregorio Montero e Ricardo Ruiz-Peinado do Departamento de Sistemas e Recursos Florestais CIFOR-INIA, têm estudado como a captura de carbono das várias espécies nas florestas espanhol. Suas obras são muito interessantes de como saber o quanto CO2 equivalente em um carvalho centenário, em uma mesa de madeira bruta ou de todas as florestas do país.
Por: Clemente Alvarez
Como outras plantas, as árvores absorvem CO2, e ficam com o carbono na molécula. Ele é usado na forma de carboidratos em seus processos metabólicos. Assim, os átomos de carbono fixo na madeira do tronco, galhos, raízes, ajudam a remover o excesso de CO2 da atmosfera provocando mudanças climáticas. Pelo menos temporariamente. Todo o carbono está na árvore, enquanto ela viver. Se a queima do pinho for em um incêndio ou depois de sua morte natural, em algumas espécies, pode-se levar séculos para ocorrer.
Ruiz-Peinado explica que cerca de 50% do peso de qualquer árvore é carbono. Um pinheiro que pesa uma tonelada, 500 quilos seria água e 500 quilos de madeira seca. Assim, o pinheiro teria acumulado 250 quilos de carbono, que seria igual a(1) 915 quilos de CO2.
Mas o que acontece com o CO2 se chega um lenhador e cortar a árvore para utilizar sua madeira?
Como explicam os pesquisadores, depende do seu objetivo. Se usada para produzir papel, sua vida útil será de poucos anos. Com o CO2 na atmosfera, o papel vai se decompor em ciclos sucessivos de reciclagem (fibras de papel não pode ser reciclado mais de seis vezes) ou, pior, quando feito em um aterro sanitário. No entanto, se a árvore torna-se uma mesa de pinho, o CO2 permanecerá lá por muitas décadas. Até que seja destruído.
Pode-se então, compensar as emissões produzidas por um carro, um avião ou a energia térmica da planta como proposto por algumas empresas?
O CO2 armazenado em combustíveis fósseis levam milhões de anos, enquanto o tempo que pode manter as árvores vai ser muito mais curto. "Eu acho que deveria substituir as árvores por novas constantemente ao longo do tempo," diz Montero.
"O CO2 sempre retorna para a atmosfera, as árvores não resolvem o problema das alterações climáticas, todos nós temos algum tempo para executar outras ações, a questão não é o quanto de carbono pode ser corrigido apenas com as árvores, mas para muitos anos", diz o engenheiro.
Árvores que capturam mais carbono são aqueles que estão crescendo. Assim, eles são os mais novos povoamentos florestais mais eficaz para eliminar CO2. "É por isso que a Espanha já está definido muito CO2", disse Montero. No caso das florestas mais antigas, seus grossos troncos serão aqueles com maior quantidade de carbono armazenado, mas deve finalmente parar de crescer e já não contribuem para reduzir ainda mais CO2 na atmosfera.
Para calcular a quantidade de carbono armazenado nas diferentes árvores espanholas, estes dois pesquisadores foi direto para o campo coletando amostras de 32 espécies de árvores comuns no país. Extraídos todos os tipos de espécimes, incluindo raízes, pesando as suas diversas partes e amostras secas em laboratório. Usando dados de 1.508 árvores, criou um modelo para determinar a quantidade de CO2, quer através da altura e diâmetro de seu tronco. Com apenas estas duas variáveis, o modelo segue o peso da madeira seca de qualquer espécie de árvore, calculado a partir do conteúdo de carbono.
O mesmo também é usado para calcular o peso, não de uma única árvore, mas de todas as florestas do país. Assim, estes dois engenheiros estimam que todas as florestas da Espanha, hoje acumularam o equivalente a 3.31 bilhões de toneladas de CO2, quase nove vezes os lançados na atmosfera por atividades humanas ao longo de 2009 em todo o país (2). Além disso, também determinou que todas as florestas definido a cada ano cerca de 87 milhões de toneladas de CO2. Como resultado do crescimento, o equivalente a 79% das emissões em 2009 através de transportes ou 89% do liberado na atmosfera pela indústria. Além disso, você também pode coletar dados sobre o peso de árvores em diferentes fragmentos, que permite aos pesquisadores deduzir o carbono armazenado, além dos outros partidos que o tronco e galhos, raízes. Isso é muito útil para tentar maximizar a captura e armazenamento de CO2 das florestas, o chamado de carbono florestal.
Isto significa que pode se manter as árvores existentes, protegendo-as do fogo, mas do que desmatar florestas para suportar o crescimento das mais novas. Do jeito que estamos indo para obter e armazenar CO2 é proteger as árvores para a sua sustentabilidade . E se você precisar de uma tabela, também é melhor que seja de madeira, em vez de outros materiais. A mesa de madeira sólida construída para durar, no qual o carbono é armazenado por um longo tempo. "Quanto melhor a madeira da mesa, mais o CO2 para retornar à atmosfera ", conclui Ruiz-Peinado.
(1) Para mover carbono para CO 2 multiplicar o carbono por 3,66. Este fator é calculado tendo em conta o peso molecular do CO 2 , que é de 44 gramas (12 g de carbono (C) e 32 g dos dois átomos de oxigênio (O)). 44/12 = 3,66
.(2) De acordo com o Relatório de Sustentabilidade em Espanha 2010 SBI, em 2009 o país emitiu 372.400 mil toneladas de CO 2 equivalente.
Todos os dias o povo come veneno: quem são os responsáveis?
O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na última safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma média anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.
Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química, etc.O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos países de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no "neutral poder judiciário" brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas consequências do uso durante esses três anos? Na minha opinião, é esse juiz irresponsável que autorizou, na verdade, as empresas desovarem seus estoques.Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão de obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as máquinas num mesmo período. Pois bem, esse veneno secante vai para a atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população, inclusive das cidades vizinhas.O Dr. Vanderley Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto e outras consequências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade Federal do Ceará já comprovaram o aumento de câncer na população brasileira, consequência do aumento do uso de agrotóxicos.A ANVISA - responsável pela vigilância sanitária de nosso país, detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados, somente este ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, além de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim, o agricultor se iludir ainda mais.O Dr. Nascimento, consultor de saúde da revista CARAS, escreveu em sua coluna que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estômago no Brasil, a maioria consequente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. stamos usando veneno apenas depois da segunda guerra mundial para cá, como uma adequação das fábricas de bombas químicas, agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usados largamento no Vietnã. E agora suas fábricas produzem o glifosfato, que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estômago.Esperamos que, na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as consequências no meio ambiente e na saúde da população.
* João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil.
Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química, etc.
O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos países de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no "neutral poder judiciário" brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas consequências do uso durante esses três anos? Na minha opinião, é esse juiz irresponsável que autorizou, na verdade, as empresas desovarem seus estoques.
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão de obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as máquinas num mesmo período. Pois bem, esse veneno secante vai para a atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população, inclusive das cidades vizinhas.
O Dr. Vanderley Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto e outras consequências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.
Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade Federal do Ceará já comprovaram o aumento de câncer na população brasileira, consequência do aumento do uso de agrotóxicos.
A ANVISA - responsável pela vigilância sanitária de nosso país, detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados, somente este ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, além de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim, o agricultor se iludir ainda mais.
O Dr. Nascimento, consultor de saúde da revista CARAS, escreveu em sua coluna que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estômago no Brasil, a maioria consequente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.
Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. stamos usando veneno apenas depois da segunda guerra mundial para cá, como uma adequação das fábricas de bombas químicas, agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usados largamento no Vietnã. E agora suas fábricas produzem o glifosfato, que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estômago.
Esperamos que, na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as consequências no meio ambiente e na saúde da população.
* João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
MPF investiga origem de óleo que atingiu Cabo Frio-RJ
O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro instaurou procedimento administrativo para apurar as causas do vazamento de óleo que atingiu praias em Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no último domingo (8).
Segundo o MPF, o procurador da República Thiago Simão Miller, que atua em São Pedro da Aldeia, cobrou esclarecimentos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo (Resexmar/AC), da Companhia Municipal de Administração Portuária (Comap), da Capitania dos Portos (Cabo Frio) e do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM).
Outro foco das investigação é a análise do dano ambiental eventualmente causado à região e as medidas necessárias para a sua recomposição. Também foram solicitadas explicações sobre as providências para conter o vazamento, a origem do óleo, bem como sobre os navios e plataformas fundeados ou que transitaram pela região nos últimos 15 dias.
Como o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) vem analisando amostras colhidas nas praias da Região dos Lagos, o MPF pediu-lhe informações sobre o prazo para a conclusão do estudo.
Técnicos recolhem material em áreas atingidas por mancha de óleo no Rio
Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) sobrevoaram nesta segunda-feira (9) as praias da Região dos Lagos atingidas por uma extensa mancha de óleo. Eles também coletaram amostras do material para análise. Autoridades ambientais do estado do Rio de Janeiro ainda não sabem a origem do óleo, que atinge pelo menos cinco praias.
Logo depois que a mancha foi vista ontem (8), a Capitania dos Portos fez uma inspeção na área e coletou amostras do óleo para identificar a causa e o responsável pelo derramamento. A análise está sendo feita pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira e o laudo deve ficar pronto em até 20 dias.
Ontem, a Petrobras informou que não tem responsabilidade sobre o acidente e que, a pedido da Marinha, está ajudando a conter o óleo.
As praias atingidas ficam em Arraial do Cabo e Cabo Frio, onde, na Praia do Peró, pescadores encontraram cinco pinguins mortos.
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